
|
Muitas pessoas dão comida caseira aos seus
cães, pensando na economia e na relação afectiva que têm com os seus
animais. Estudos comprovam que a comida caseira acaba sendo até 100% mais
cara se levarmos em consideração o tempo gasto para a preparação, e
ainda a dificuldade de se equilibrar correctamente as doses de
ingredientes necessárias para uma saúde perfeita dos animais de estimação.
Consequentemente, muitos problemas de pele e de estômago dos animais acabam
por aparecer devido a uso de temperos não aconselhados da alimentação humana
ou de excesso de deteminados ingredientes.Lembre-se: carinho e afecto não são
suficientes para uma saúde perfeita.Hoje, o mercado de rações oferece ao
consumidor uma variedade enorme de produtos, desde aqueles que se vendem nos
Supermercados até ás rações dos veterinarios e petshops, que variam de acordo
com a qualidade das matérias-primas envolvidas em sua fabricação.
Conseqüentemente, o preço também vai variar.A ração pode ser na forma de
alimentos húmidos ou seca . A grande vantagem das rações é a certeza
de, ao escolher uma marca de boa qualidade, estar a fornecer ao
seu animal de estimação todos os elementos essenciais à manutenção de uma boa
qualidade de vida e do bem estar do animal, pois estes elementos estarão
equilibrados e apresentados de uma forma na qual serão facilmente absorvidos
pelo seu animal. Tabela 1
Todos os seres vivos precisam se
alimentar. Os cães dependem de seus donos para ter uma dieta diária
perfeitamente balanceada. Cerca de 50 nutrientes são considerados essenciais
para os cães e a qualidade de uma determinada ração é baseada em quão bem ela
resolve e se encaixa no quebra-cabeça altamente complexo da nutrição canina. Proteínas (carne, peixe, ovos),
fibras (vegetais verdes), gorduras (vegetal e animal), minerais e vitaminas
devem ser incluídos na dieta ideal e a quantidade desses diversos elementos
deve refletir: · O porte do
cão (obviamente um Chihuahua de dois quilos não terá a mesma dieta que um São
Bernardo de 80 quilos); Os donos de
cães atletas ou de trabalho já sabem a importância da nutrição. Por esse
motivo, vamos falar apenas dos elementos básicos, para dar aos leitores uma
boa compreensão de todos os elementos necessários para criar uma dieta
nutricionalmente bem balanceada. 50 Nutrientes Essenciais com um Papel
Importante Como os
humanos, cães são criaturas cuja sobrevivência depende das centenas de
milhões de células que compõem seus corpos e trabalham como pequenos motores
para produzir energia. Esses "motores" são essenciais para a vida.
Eles precisam de fornecimento constante de combustível - comida - e
comburente - oxigênio - para produzir calor e energia. O corpo assim mantém
temperatura constante e pode construir e fortalecer a si mesmo e assim
garantir a sobrevivência, sem nunca parar de se renovar. Para alimentar
bem um cão, o dono precisa ter uma boa compreensão do papel da nutrição,
definida como "todas as trocas entre um organismo e seu meio ambiente
que permite que o organismo assimile substâncias externas e produza energia
necessária para sobreviver". Nutrientes e suas fontes Tabela 2
O Papel dos Nutrientes Um nutriente é
um elemento simples que deve ser incluído na dieta canina em uma quantidade
que ajudará a manter a saúde do cão. Todo dia, os cães necessitam cada um dos
50 nutrientes essenciais pois cada um tem um papel importante e seus corpos
não podem sintetizá-las. Água: a mais importante de todas
Proteína: os blocos de construção do
corpo
Gorduras: Não apenas uma fonte de
calorias
Enquanto os
cães podem facilmente administrar altos níveis de gordura em suas dietas,
rações gordurosas devem ser reservadas a cães ativos e com alta necessidade
calórica, como fêmeas lactantes. Dependendo de sua origem, as gorduras
consistem de vários ácidos graxos e assim, têm diferentes valores
nutricionais. Ácidos graxos
têm um papel duplo: ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS Esse papel
duplo é feito pelos chamado ácidos graxos "essenciais" - essencial
pois o corpo de um cão não pode sintetizá-las e precisa obtê-las da dieta. Há
duas famílias de ácidos graxos essenciais (também chamados ácidos graxos essenciais
poliinsaturados), que é importante saber apesar de seus nomes estranhos: - As séries
Ômega-6, encontradas naturalmente em óleos vegetais de animais, exceto
frango. A deficiência nesse tipo de ácido deixa a pele seca, causa
descamação, alopecia (queda de pêlos) e pelagem sem brilho. Esse é um dos
principais nutrientes para uma pelagem bonita; - As séries
Ômega-3, encontradas principalmente em óleos de peixes, têm o importante
papel na preservação de membranas celulares e funcionamento dos sistemas nervoso
e imunológico. Esses ácidos graxos agora são usados por suas qualidades
anti-inflamatórias (no tratamento de muitos casos de irritação de pele) e
suas propriedades de "oxigenação" (eles melhoram o fluxo de
oxigênio nas células e aumenta a deformabilidade dos glóbulos vermelhos,
propriedades interessantes para cães atletas e idosos); Seja qual for
o tipo, todas as gorduras são particularmente frágeis quando cruas, se
deteriorando rapidamente. O mofo leva em primeiro lugar à diminuição de
palatabilidade da ração e especialmente a indisposições fisiológicas nos
cães: intolerância digestiva, desordens pancreáticas, danos hepáticos, etc.
Em rações comerciais, antioxidantes são adicionados para prevenir que as
gorduras da ração mofem. No caso de comida feita em casa, é melhor não dar
aos cães gorduras cozidas. Carboidratos Os
carboidratos são nutrientes compostos quase que exclusivamente de matéria
vegetal, ingredientes de ração de origem animal contém virtualmente nada de
carboidratos. Os blocos de construção dos carboidratos são açúcares simples,
o mais comum dos quais é a glicose, componente primário do amido e celulose. Outros
carboidratos, como as pectinas e gomas, são moléculas mais complexas que
consistem de ácido urônico produzido pela oxidação de açúcares simples.
Alguns carboidratos (amidos e açúcares) podem ser digeridos e assimilados
pelo cão. Carboidratos não digeríveis (fibras e celulose) servem como volume
para estimular e regular o fluxo intestinal. Como todos outros animais, os
cães têm uma necessidade metabólica por glicose, que é uma fonte primária de
energia para certos órgãos, como o cérebro, e é também um bloco de construção
essencial em muitas moléculas orgânicas. Apesar disso,
cães têm uma diferença básica: seu corpo pode manter a glicemia (nível de
glicose no sangue) sem carboidratos na dieta. Cães e alguns outros animais
usam certos aminoácidos encontrados nas proteínas para sintetizar a glicose.
Por esse motivo, cães não correm o risco de ter deficiência no nível de
glicose. CARBOIDRATOS DIGESTÍVEIS Entre os
carboidratos digestíveis, a lactose é bastante importante para filhotes. O
leite da mãe cadela tem metade da lactose do leite de vaca. Apesar dos
filhotes usarem a lactose, sua habilidade de digestão é limitada e qualquer
excesso leva a problemas digestivos. Por isso o substituto para o leite
materno canino não deve conter muita lactose. Cães adultos são ainda mais
intolerantes a lactose. Na verdade, o consumo de leite pode levar a diarréia
em adultos. AMIDO O amido é um
complexo ramificado de polímeros de glicose encaixadas como uma cápsula,
chamada "grão" (de amido). O formato de um amido particular depende
de sua origem botânica. O corpo do cão usa amilases, enzimas do pâncreas,
para digerir amido. A digestibilidade é altamente melhorada pelo cozimento,
que gelatiniza o amido. Encontrado em grãos (trigo, milho, arroz, etc.) e
batatas, os amidos abastecem o corpo com uma fonte rápida de energia, desde
que bem cozidas. O arroz usado em ração doméstica deve ser
"pegajoso" para garantir a digestibilidade e prevenir diarréia.
Dois métodos de cozimento são usados para rações secas: extrusão
("kibble) e lascamento. Esses métodos garantem que o amido está cozido
perfeitamente, assim altamente digerível. FIBRA Embora as
fibras não possam ser assimiladas pelo cão, são consideradas partes
necessárias da dieta canina. As fibras são todos os carboidratos não
digeridos na saída do intestino delgado: celulose, hemicelulose, lignina,
matéria péptica, etc. Algumas proteínas não digeríveis, inclusive a queratina
encontrada em penas, podem ser incluídas também. As fibras
regulam a atividade do trato digestivo, freando ou acelerando quando
necessário. Uma vez que a ação intestinal em cães depende dos níveis de
stress e atividade, a quantidade de fibra na ração deve ser adaptada
quantitativamente. As fibras também servem como substrato para a fermentação
da flora intestinal e ajuda a manter o equilíbrio desse material no intestino
grosso. Por isso, qualquer mudança abrupta na fonte da fibra pode causar um
desequilíbrio temporário, com fermentação descontrolada, flatulência e
diarréia. Embora a fibra
seja necessária para digestão saudável, há algumas desvantagens: as fibras
diminuem a digestibilidade da ração (isso é especialmente verdadeiro para
farelo de trigo). - Em
combinação com substâncias complexas conhecidas como fitatos, as fibras podem
diminuir a quantidade de certos minerais durante a digestão; - Ainda, a
fibra pode ser usada para diminuir a digestibilidade da ração para cães menos
ativos ou baixar a quantidade de calorias da ração para cães acima do peso.
Nesses casos, o objetivo é reduzir a assimilação da comida e obter um grau de
diluição que não vai limitar excessivamente o volume do bolo. Certos tipos de
fibras podem maximizar essas propriedades enquanto limitam as desvantagens.
Por causa da decrescente digestibilidade das rações ricas em fibra, é
necessário aumentar a quantidade do nutriente dessas rações. Minerais: muitas funções Tabela 3
Os minerais representam uma parcela
mínima no peso do cão, mas cada um tem um papel essencial. Por esse motivo, a
quantidade de minerais na dieta de um cão deve ser monitorada muito
cuidadosamente. Além disso, todos os minerais podem interagir com os demais
na digestão ou metabolismo. Ainda, é necessário não apenas garantir que cada
um está presente na quantidade necessária, mas também evitar qualquer
desequilíbrio que possa prejudicar o organismo tanto quanto uma simples
deficiência. No campo da
nutrição, os minerais são divididos em dois grupos: -
Macronutrientes, para os quais as necessidades alimentares são expressas em
gramas para um cão de porte médio. Incluem cálcio, fósforo, magnésio, sódio,
potássio e cloro; -
Micronutrientes, para os quais as necessidades na dieta são expressas em
miligramas/dia (ou menos), incluindo ferro, cobre, manganês, zinco, iodo,
selênio, flúor, cobalto, molibdênio, etc. Quantitativamente
falando, o cálcio e o fósforo são os mais importantes elementos minerais:
eles são os blocos de construção do esqueleto e também têm outras funções
metabólicas importantes. Por exemplo, o fósforo está envolvido na
transferência de energia intracelular. O esqueleto é uma reserva de
armazenamento substancial de fósforo na qual um organismo pode recorrer em
caso de deficiência. Isso explica a ocorrência de doenças ósseas quando os
níveis de fósforo e cálcio na dieta estão desbalanceados. O magnésio também
está envolvido no metabolismo ósseo, mas mais importante, é encontrado junto
com o potássio no fluido intracelular essencial em muitas reações químicas. Tabela 4
Todos já
ouviram falar de vitaminas, nutrientes essenciais para vida, que incluem uma
grande variedade de substâncias. Quando uma única vitamina falta total ou
parcialmente na dieta, o corpo exibe sintomas clínicos de deficiência que
podem levar muitas vezes a doenças graves. Como um grupo, as vitaminas têm
duas características diferenciadas: - A
necessidade diária de um cão por cada vitamina é expressa em miligramas ou
ainda microgramas; As vitaminas
são encontradas na comida e são também lipossolúveis (solúveis em gordura) ou
hidrossolúveis (solúveis em água). Cães precisam de 13 vitaminas diferentes.
Cada uma tem papéis distintos, desde garantir uma boa visão, crescimento
adequado e o uso eficiente das gorduras, preservar a pele e manter os vasos
sanguíneos e tecidos nervosos. É importante
reparar que quantidades excessivas de certas vitaminas (particularmente as
vitaminas A e D) na dieta podem ser muito perigosas. Embora essas vitaminas
sejam úteis e necessárias em certas quantidades, podem ser prejudiciais e até
tóxicas em outras. No entanto, algumas vitaminas, inclusive a E, são bem
toleradas mesmo em grandes quantidades. Na verdade, grandes quantidades de
vitamina E têm efeitos curativos e preventivos em membranas celulares. Até
agora, nenhum sinal decorrente de super dosagem dessa vitamina foi reportada
em cães. Quantidades de vitamina E acima da necessidade fisiológica podem
aumentar a qualidade de um alimento específico. Finalmente, os
donos devem lembrar que levedo de cerveja é uma fonte rica e natural de
vitamina B, que pode ser de grande ajuda para melhorar a aparência da
pelagem. Prebióticos (FOS) na Ração Canina Fruto-oligossacarídeos
(FOS) são um tipo de açúcar classificados como fibras fermentáveis. Esses
açúcares não digestíveis são rapidamente fermentados pela fibra bacterial no
intestino. Eles estimulam a produção de ácidos graxos voláteis (acetato,
propionato e butirato), que mantem e promove o crescimento das células que
formam o revestimento interno do intestino grosso. Os FOS
favorecem o estabelecimento de uma flora bacterial saudável (bifidobacterium
e lactobacillus). Os benefícios para o trato digestivo são bem conhecidos: - Inibem o
crescimento de bactérias patogênicas; - Estimulam o
sistema imunológico. O Papel dos Probióticos na Alimentação
Canina Os probióticos
são microorganismos vivos (bactérias ou leveduras) que têm um efeito benéfico
para o humano ou animal que os ingerirem. Eles estão
disponíveis como medicamentos ou suplementos alimentares (leveduras), ou
estão presentes em alimentos (iogurtes). - Efeito
barreira: permitem que um equilíbrio mais favorável seja estabelecido entre
os diferentes organismos presentes na microflora intestinal (eles
"suficam" os organismos patogênicos graças a seu número superior); - Melhor
digestão: por meio de ação enzimática, eles facilitam a digestão de certos
nutrientes que resistem à ação de sucos digestivos; - Estimulam as
defesas imunológicas do hospedeiro. Organismos
probióticos não colonizam o trato digestivo do hospedeiros, logo para ser
eficiente, devem ser consumidos freqüentemente e em doses suficientes. Pesquisas
recentes mostraram que uma forma eficiente e prátrica de fazer os cães
consumirem organismos probióticos é acrescentá-los à ração seca. Uma vez
ingeridos, eles melhoram a saúde do cão e aumentam sua expectativa de vida. |